domingo, 1 de janeiro de 2012

O direito de sonhar





Tente adivinhar como será o mundo depois do ano 2000. Temos apenas uma única certeza: se estivermos vivos, teremos virado gente do século passado. Pior ainda, gente do milênio passado.

Sonhar não faz parte dos trinta direitos humanos que as Nações Unidas proclamaram no final de 1948. Mas, se não fosse por causa do direito de sonhar e pela água que dele jorra, a maior parte dos direitos morreria de sede.

Deliremos, pois, por um instante. O mundo, que hoje está de pernas para o ar, vai ter de novo os pés no chão.



Nas ruas e avenidas, carros vão ser atropelados por cachorros.

O ar será puro, sem o veneno dos canos de descarga, e vai existir apenas a contaminação que emana dos medos humanos e das humanas paixões.

O povo não será guiado pelos carros, nem programado pelo computador, nem comprado pelo supermercado, nem visto pela TV.

A TV vai deixar de ser o mais importante membro da família, para ser tratada como um ferro de passar ou uma máquina de lavar roupas.

Vamos trabalhar para viver, em vez de viver para trabalhar.

Em nenhum país do mundo os jovens vão ser presos por contestar o serviço militar. Serão encarcerados apenas os quiserem se alistar.

Os economistas não chamarão de nível de vida o nível de consumo, nem de qualidade de vida a quantidade de coisas.

Os cozinheiros não vão mais acreditar que as lagostas gostam de ser servidas vivas.

Os historiadores não vão mais acreditar que os países gostem de ser invadidos.

Os políticos não vão mais acreditar que os pobres gostem de encher a barriga de promessas.

O mundo não vai estar mais em guerra contra os pobres, mas contra a pobreza. E a indústria militar não vai ter outra saída senão declarar falência, para sempre.

Ninguém vai morrer de fome, porque não haverá ninguém morrendo de indigestão.

Os meninos de rua não vão ser tratados como se fossem lixo, porque não vão existir meninos de rua.

Os meninos ricos não vão ser tratados como se fossem dinheiro, porque não vão existir meninos ricos.

A educação não vai ser um privilégio de quem pode pagar por ela.

A polícia não vai ser a maldição de quem não pode comprá-la.

Justiça e liberdade, gêmeas siamesas condenadas a viver separadas, vão estar de novo unidas, bem juntinhas, ombro a ombro.

Uma mulher – negra – vai ser presidente do Brasil, e outra – negra – vai ser presidente dos Estados Unidos. Uma mulher indígena vai governar a Guatemala e outra, o Peru.

Na Argentina, as loucas da Praça de Maio vão virar exemplo de sanidade mental, porque se negaram a esquecer, em tempos de amnésia obrigatória.

A Santa Madre Igreja vai corrigir alguns erros das Tábuas de Moisés. O sexto mandamento vai ordenar: "Festejarás o corpo". E o nono, que desconfia do desejo, vai declará-lo sacro.

A Igreja vai ditar ainda um décimo-primeiro mandamento, do qual o Senhor se esqueceu: "Amarás a natureza, da qual fazes parte".

Todos os penitentes vão virar celebrantes, e não vai haver noite que não seja vivida como se fosse a última, nem dia que não seja vivido como se fosse o primeiro.

sábado, 31 de dezembro de 2011

O povo norte-coreano é que deve decidir seu destino


(Nota Política do PCB)
O PCB nunca teve relações bilaterais formais com o Partido do Trabalho da Coréia. Historicamente, nossas relações internacionais têm origem no campo político que foi liderado pelo Partido Comunista da União Soviética. Recentemente, em 2010, um conselheiro da embaixada norte-coreana no Brasil nos honrou com sua presença e saudação em nosso XIV Congresso Nacional.
Nosso coletivo partidário, portanto, dispõe de poucas informações a respeito da formação histórica, da cultura e da atualidade do processo de construção do socialismo na República Popular da Coréia do Norte.
A maioria das informações a que temos acesso vem da inconfiável imprensa burguesa. À falta de maiores informações de outras fontes alternativas, a manipulação da mídia hegemônica, no caso norte-coreano, não tem qualquer contraponto em nosso país, soando como verdade absoluta tudo que ela divulga a respeito.
Assim sendo, seria uma irresponsabilidade política o PCB dar uma opinião categórica a respeito da conjuntura por que está passando a Coréia do Norte, em razão da morte de Kim Jong-il, principal dirigente do Partido do Trabalho, e sua sucessão, de forma hereditária, por seu jovem filho, Kim Jon-un.
No entanto, pelas poucas informações de fontes confiáveis de que dispomos e pela literatura oficial do regime, preocupam-nos os indícios de falta de democracia popular e de riscos de regressão dos fundamentos socialistas. Por outro lado, registramos como positivas diversas conquistas sociais, com destaque para a educação universal, e a firme postura antiimperialista.
A democracia popular a que nos referimos não tem nada a ver com a democracia burguesa, forma sutil e disfarçada da ditadura das classes dominantes que mantém o capitalismo. É em nome desta falsa democracia que as forças imperialistas vêm manipulando a opinião pública mundial, com o objetivo de invadir e saquear os países que não lhes são dóceis, como a Coréia do Norte, obrigada a viver sob eterna tensão, em estado permanente de guerra com a Coréia do Sul, alinhada às grandes potências e fortemente armada por estas.
Os Estados Unidos e a Otan ocuparam o Iraque durante dez anos, promovendo a destruição do país e o sacrifício de centenas de milhares de vidas para derrubar o “ditador de plantão” e obrigaram o país a realizar eleições no formato burguês ocidental. E o povo iraquiano segue com sua crise e sua opressão; e sem democracia! Situação semelhante ocorre na Líbia, no Afeganistão. A satanização agora atinge a Síria, o Irã e, novamente, a Coréia do Norte.
Repudiamos as manobras da mídia hegemônica, que cria um clima de incertezas na Coréia do Norte, aproveitando-se da assunção de um jovem dirigente. O isolamento e o hermetismo do país favorecem estas manobras. A mídia se ocupa hoje de procurar desmoralizar e ridicularizar o sistema vigente para tentar desestabilizá-lo, visando à conquista de mais um território geopoliticamente estratégico no xadrez da luta hegemônica mundial.
A manipulação midiática é  sempre a ante-sala da invasão militar, para que a opinião pública mundial se sinta “aliviada com a queda de um ditador sanguinário”. Enquanto isso, as grandes potências capitalistas fazem vista grossa para os ditadores de países aliados e submissos. E não há ditadura mais cruel do que a ditadura do capital. Os países imperialistas, que se apresentam como paladinos da democracia, reprimem violentamente qualquer manifestação popular local e transgridem os direitos humanos e políticos no mundo todo, promovendo guerras, saques, golpes, atentados, assassinatos, prisões arbitrárias, desaparecimentos, torturas.
O PCB expressa sua mais firme solidariedade ao povo norte-coreano, que soberanamente deve decidir os destinos de seu país, sem qualquer ingerência de potências estrangeiras. No que se refere ao processo de construção do socialismo, cabe ao PCB apenas nutrir esperanças de que os trabalhadores norte-coreanos possam ajustar seu rumo, assumindo papel dirigente no fortalecimento do poder popular e na luta contra qualquer forma de restauração capitalista.
Partido Comunista Brasileiro – Comitê Central – 29/12/2011

Mentiras da mãe da ditadura: Cuba Vive


Durante a última semana do ano, a Globo trouxe a público, em seu principal telejornal, uma série sobre Cuba e as mudanças que vem sendo implementadas na ilha socialista, exemplo de luta e resistência para o mundo.
Mais uma vez, mostrando o caráter burguês de seu jornalismo, a rede Globo não consultou os dois lados da moeda, além de produzir uma reportagem extremamente tendenciosa, mostrando os irmãos “Castro” como monstros ditadores e a revolução cubana como o maior dos atrasos da humanidade, apenas opositores do regime foram entrevistados, demonstrando o total descompromisso da emissora com a apresentação da verdade.
Não foi sequer citado nas reportagens que Cuba tem alguns dos melhores índices sociais da América Latina, que a taxa de analfabetismo entre jovens em idade escolar é zero, que todo cubano tem acesso à educação e saúde públicos, gratuitos e de qualidade, que a democracia cubana é extremamente superior à brasileira, em representação e em participação, que Cuba tem uma expectativa de vida de 78 anos, superior à brasileira, que a taxa de mortalidade infantil em Cuba é de 5,9 em cada mil nascidos vivos, enquanto que no Brasil esta taxa sobe para 19,4 em cada mil. As beneficies da revolução cubana são enormes.

Poderia gastar linhas e mais linhas exaltando o governo de Cuba, mas este não é o principal intuito deste texto, na verdade o que mais me impressiona é que como uma emissora pode falar de Cuba sem citar o bloqueio genocida empreendido à ilha caribenha. Como se pode mentir deslavadamente que os cubanos morrem de fome sem tocar no fato de que há 50 anos o povo cubano sofre as mais diversas dificuldades por não poder sequer comercializar os seus produtos livremente, ou importar tecnologias para alavancar a sua produção. Se Cuba hoje passa por dificuldades financeiras é porque o imperialismo “yankee” ainda não se conformou em ter perdido aquilo que poderia vir a ser mais uma estrela em sua bandeira.
Cuba se rebelou contra a opressão e não se curvará às farsas montadas pelo bloqueio midiático, afinal não é o Partido Comunista Cubano que gosta de ditaduras, e sim a Rede Globo, que foi uma das principais financiadoras da ditadura Civil-Militar brasileira, dando legitimação ao golpe e acobertando suas atrocidades, seus crimes.
Infelizmente meios de comunicação como este ainda sobrevivem em nosso meio alienando os brasileiros e emburrecendo a nossa população, precisamos urgentemente de uma lei de meios que venha a coibir que aparatos midiáticos descompromissados possam vingar no Brasil, precisamos de um sistema público de telecomunicações eficiente, precisamos de um estado forte para um povo forte, precisamos ser uma nova Cuba, RUMO AO SOCIALISMO.

Cuba por Coinho Fonseca


CUBA por Coinho Fonseca

"Hoje milhões de crianças dormirão nas ruas do mundo inteiro. Nenhuma delas é cubana". 

Como qualquer outro país, capitalista ou socialista, Cuba tem seus problemas. Mas, os inegáveis avanços da revolução de 1959 fazem, ainda hoje, despertar a ira de uma burguesia que treme de medo frente ao socialismo. 
...
Em quando o Brasil mandou 8 mil soldados do Exército para oprimir o sofrido povo do Haiti, Cuba enviou ano passado 1.200 médicos para cuidar da população.

Grande parte dos problemas enfrentados por Cuba atualmente, não são por conta do sistema socialista da Ilha. A maior parte das dificuldades são geradas pelo desumano Embargo comercial imposto pelos Estados Unidos, pq a Globo não toca nesta questão?

O endurecimento da ditadura Castro ocorreu depois que os Estados Unidos perceberam que a revolução cubana tinha carácter nacionalista (nem socialista era) e tentaram invadir o país caribenho. Diante da ameça do poderoso vizinho, Fidel aproximou-se da União Soviética e aderiu ao bloco socialista.

Em 4 de março de 1960 um navio de bandeira francesa explodiu no Porto de Havana matando 101 pessoas. Investigações comprovaram que foi uma sabotagem de agente da CIA infiltrados em território cubano.

No dia 05, dia do enterro das vítimas, Fidel Castro declarou: "Pátria ou Morte" e o fotografo Alberto Corda capturou a foto que viria a ser, anos depois, a imagem mais reproduzida do mundo: a emblemática foto de ERNESTO CHE GUEVARA.

VIVA CUBA, VIVA O SOCIALISMO!
PÁTRIA OU MORTE!!!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Homenagem marca cem anos de Marighella


Familiares e ex-companheiros, com o apoio da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça e do Grupo Tortura Nunca Mais/BA, reúnem no próximo dia 5 de dezembro, personalidades políticas, intelectuais, artistas e representantes de entidades e movimentos sociais para prestar homenagem ao líder revolucionário baiano Carlos Marighella, um dos principais opositores da ditadura militar que governou o Brasil entre 1964 e 1985, que completaria na data, cem anos de nascimento.

Na ocasião, a Comissão de Anistia vai se reunir no Teatro Vila Velha, às 15hs, para analisar o requerimento formulado por familiares de Marighella, onde se pede que seja declarada a sua condição de  anistiado. Carlos Augusto, filho do revolucionário, ressalta que o evento faz parte de uma campanha, denominada Marighella Vive, que pretende criar na Bahia um memorial dedicado aos brasileiros que lutaram contra o golpe militar e se tornaram, na prática, as principais figuras do momento democrático vivido no país, assim como, fazer justiça a memória de seu pai. "Marighella foi uma pessoa que deixou marca na vida do país, um verdadeiro herói nacional", explica.

O evento contará com as participações do ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, do governador Jaques Wagner, além de secretários de estado, vereadores, deputados, senadores, presidentes da OAB/BA e OAB/RJ e da viúva de Marighella, Clara Charf.

Documentário

No mesmo dia, às 20hs, acontece no Cine Glauber Rocha o lançamento na Bahia do documentário Marighella, feito pela sobrinha Isa Grispum Ferraz. Com 1h40 de duração, o longa é narrado pelo ator Lázaro Ramos e traça um retrato emocionado do líder político baiano.

Finalista do Festival do Rio e da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e selecionado ao Prêmio Itamaraty, o filme é fruto da inquietação pessoal de Ferraz. "É minha contribuição de registro de uma figura que viveu 40 anos na clandestinidade. Um jeito de tentar entender esse político complexo, trazendo mil faces dele para conhecimento do público", explica. De acordo com a sobrinha, ela tem boas recordações do tio, que escrevia, lia e amava a vida. "Aquela pessoa carinhosa e brincalhona vivia escondida em minha casa. Considerado perigoso e frio, com cartaz de procura-se, era o mesmo que fazia paródias de músicas de Roberto Carlos com nomes de meus coleguinhas da época", derrete-se.

Em seguida, no dia 07, o filme vai participar do Festival do Documentário em Cachoeira e depois, dia 10, no Festival de Havana, Cuba. A previsão é que o documentário entre em cartaz no cinema comercial em março de 2012.

Carlos Marighella

Considerado o inimigo número 1 da ditadura militar, Marighella foi assassinado em São Paulo, no dia 4 de novembro de 1969, por agentes do DOPS, órgão responsável pela execução de muitos opositores do regime militar. Seus restos mortais foram trazidos para Salvador em 10 de dezembro de 1979 – Dia Universal dos Direitos do Homem, logo depois da promulgação da Lei de Anistia. A cerimônia teve a presença e participação de centenas de pessoas para ouvir a leitura de uma mensagem escrita por Jorge Amado, amigo de Marighella e seu companheiro na bancada comunista da Assembléia Nacional Constituinte e na Câmara dos Deputados entre 1946 e 1948, lida na ocasião por Fernando Santana.

O túmulo do político foi projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, amigo do homenageado, e encontra-se no Cemitério Quinta dos Lázaros, na capital baiana.


Serviço
O quê: 53ª Caravana da Anistia – Cem anos de Marighella
Quando: 05 (segunda) de dezembro de 2011
Onde: Teatro Vila Velha, Avenida Sete de Setembro, às 15hs;
          Cine Glauber Rocha, Praça Castro Alves, às 20hs - Salvador/BA.           
Quem participa:
- Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo;
- Governador do Estado, Jaques Wagner;
- Secretários de Estado, deputados federais e estaduais, vereadores e senadores;
- Secretário Nacional de Justiça e Presidente da Comissão de Anistia/MJ, Paulo Abrão;
- Vice-Presidente da Comissão de Anistia, Suely Belato;
- Presidente do Grupo Tortura Nunca Mais – Bahia, Joviniano Soares de Carvalho Neto;
- Presidentes de partidos políticos da Bahia;
- Representante da Câmara Municipal de São Paulo, vereador Ítalo Cardoso;
- Presidentes da OAB-RJ, ABI-RJ e OAB-BA;
-Artistas baianos, representantes de movimentos sociais e familiares de Marighella.


Pró_Memorial Marighella Vive

Assessoria de Imprensa